A goiana Helen Borgens faz parte da comunidade quilombola do Retiro, que fica em Simolândia. À UFG, onde se graduou em Relações Internacionais, ela contou que sonha em ser embaixadora.

A goiana Helen Jaine Gomes Borgens, a primeira quilombola aprovada no concurso público para admissão à carreira de diplomata no Brasil, comemorou o tão sonhado momento da posse com uma publicação nas redes sociais. A jovem faz parte da comunidade quilombola do Retiro, que fica em Simolânida, na região nordeste do estado, e se formou em Relações Internacionais na Universidade Federal de Goiás (UFG). “Grande dia!”, escreveu ela na postagem com algumas fotos e um vídeo do momento da assinatura da posse. Helen tomou posse junto com os demais aprovados da turma 2026–2028 do Instituto Rio Branco, instituição responsável pelo concurso. Segundo o Itamaraty, a nova turma tem a maior participação proporcional feminina da história, com 45% de mulheres.
Além disso, entre os 60 aprovados, há 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, duas pessoas indígenas e uma pessoa quilombola: Helen. A ministra das Relações Exteriores substituta, Maria Laura da Rocha, estava presente na cerimônia e ressaltou a importância da presença de pessoas que pertencem a grupos sub-representados.
“Em tempos de ameaças à democracia e aos direitos duramente reconhecidos na Constituição de 1988, celebrar a entrada dos primeiros diplomatas indígenas e quilombolas brasileiros nessa instituição bicentenária é um ato de resistência. Ao fazê-lo, o Itamaraty reafirma com convicção o papel que esses grupos sociais têm e devem ter na definição da posição do Brasil no mundo”, disse.
Este foi o primeiro concurso para a carreira realizado sob a vigência da lei 15.142/2025, “a nova lei de cotas”, que estabelece reserva de vagas em concursos públicos federais para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas.
A jornada até a conquista
O edital de aprovação foi publicado no dia 23 de junho, mas a jornada de Helen rumo a esse sonho começou muito antes disso. A jovem nasceu em Goiânia e é ex-aluna da UFG. O primeiro incentivo para que ela seguisse carreira na diplomacia veio por meio de um professor de cursinho preparatório para o vestibular.
Depois que começou a graduação, Helen se distanciou da área e até pensou em mudar de curso, mas continuou por insistência da mãe. “Foi nesse período que ela cursou a disciplina de Política Externa Brasileira, que reacendeu seu interesse pelas Relações Internacionais e, com ele, a vontade de se tornar diplomata”, informou a assessoria da universidade.
Quando terminou a graduação, Helen voltou para Simolândia para estudar para o concurso. À UFG, ela contou que o fato de morar no interior dificultou o acesso a estudo especializado para a prova e que precisou estudar os conteúdos além do básico por conta própria.
O esforço valeu a pena e Helen foi aprovada na única vaga reservada a candidatos quilombolas. Para a universidade, ela disse que é uma honra representar a categoria quilombola ocupando esse espaço e sonha em chegar até o cargo mais alto da carreira diplomática, o posto de embaixada.
O concurso
O Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) é realizado desde 1996 e é oferecido pelo Instituto Rio Branco, academia diplomática brasileira subordinada ao Ministério das Relações Exteriores. O concurso exige conhecimento em várias áreas e é considerado um dos mais difíceis e concorridos do país.
Com a aprovação, o candidato precisa fazer um Curso de Formação de Diplomatas no Instituto, com duração de três a quatro semestres, para ocupar o primeiro cargo da carreira diplomática: o de terceiro-secretário.
Pode participar do concurso qualquer brasileiro com formação superior. A seleção é dividida em uma etapa com prova objetiva e outra dissertativa. Nos exames, são avaliados oito disciplinas como História do Brasil, Política Internacional, Economia e Direito.
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