Maior peixe de água doce de couro do Brasil e que pode pesar mais de 200 kg: conheça espécie que não pode ser consumida em Goiás

Por ser uma espécie protegida, a pesca da piraíba acontece apenas de forma esportiva. Espécie também é monitorada em Goiás, principalmente pelo programa Araguaia Vivo 2030.

Irmãos pescam piraíba de cerca de 2 metros e 100 kg no Rio Araguaia, em Luiz Alves, no norte de Goiás

O maior peixe de água doce de couro do Brasil, a piraíba, atrai pescadores esportivos para a parte goiana do Rio Araguaia, onde, recentemente, novos registros de pesca do gigante surgiram. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, na fase adulta, o peixe pode chegar a 3,6 metros e pesar mais de 200 kg. Segundo estudos da Universidade Federal de Goiás (UFG), a piraíba é um peixe com preferência por grandes rios com correnteza, tendo como habitat natural partes profundas e poços de grandes rios. O animal também é migratório e pode percorrer longas distâncias, chegando a 4 mil km para encontrar condições ideais para a desova.

Para preservar a espécie, o estado de Goiás conta com uma política de “cota zero” do consumo e transporte da piraíba pescada. Por ser uma espécie protegida, a pesca da piraíba acontece apenas de forma esportiva, quando o peixe é solto logo após a captura. Ainda segundo a norma de preservação, a pesca, incluindo a esportiva, se torna totalmente proibida durante o período da piracema, entre 1° de novembro e 28 de fevereiro. O tecnólogo ambiental e guia Rodrigo Viúva, de 42 anos, pontuou que preservar a espécie vai além da pescaria, e afirmou depender diretamente da saúde do rio para sobreviver.

“Como guia, eu dependo diretamente da saúde do rio — se o peixe acaba, acaba também a experiência, o turismo e a renda de muita gente. E como tecnólogo ambiental, eu entendo que ele faz parte de um equilíbrio maior: é uma peça-chave no ecossistema. Quando a gente preserva essa espécie, a gente não tá protegendo só um peixe, mas todo um ciclo de vida, a cultura da pesca e o futuro das próximas gerações.”, explicou.

A espécie também é monitorada em Goiás, principalmente pelo programa Araguaia Vivo 2030, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). Esse monitoramento é coordenado por pesquisadores da UFG e PUC Goiás, que utilizam tecnologias baseadas em DNA ambiental (eDNA) para identificar a presença das piraíbas na água em Goiás, sem que seja necessária a captura do peixe. De acordo com a Fapeg, a preservação da espécie é fundamental para a economia de municípios goianos como Nova Crixás e São Miguel do Araguaia, onde a pesca esportiva movimenta setores como o de serviços e pousadas.

Pescados em Goiás

Os irmãos e produtores rurais, Jardem Martins Parreira, de 40 anos, e Jadson Martins Parreira, de 38, pescaram uma piraíba de 2 metros. Eles afirmaram que pescam há 9 anos e sempre quiseram fisgar um exemplar deste tamanho. A pesca aconteceu na parte do Rio Araguaia em Luiz Alves, distrito de São Miguel do Araguaia. Em Nova Crixás, o guia turístico Wesley Silva capturou uma piraiba de 2,16 metros de comprimento e em uma região do Rio Araguaia conhecido como “Viúva”. A piraíba capturada por Wesley tem cerca de 120 kg.

Sobre Osvando Teixeira

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