Pais das vítimas foram presos em flagrante pela Polícia Civil. Menores devem seguir para um abrigo.

Os adolescentes de 12, 14 e 17 anos, que foram resgatados, comiam e faziam as fezes no mesmo quarto em que dormiam com um bebê, segundo a Guarda Civil Metropolitana (GCM). Os irmãos foram resgatados no bairro Chácara São Pedro, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Os pais das crianças foram presos em flagrante, segundo a Polícia Civil.
O resgate aconteceu na segunda-feira (6), após uma denúncia anônima. O inspetor da GCM, Milton Sobral, contou que quando chegou ao local indicado na denúncia, precisou arrombar a porta da casa e foi aí que encontrou os adolescentes, um deles, de 14 anos, em aparente estado de desnutrição, e o bebê.
O guarda descreveu que a situação precária do cômodo em que os menores estavam, que, segundo ele, não tinha janelas ou banheiro.

“O quarto em que eles se encontravam não tinha janela, era um local totalmente insalubre mesmo. Ele dormia ali, fazia a refeição, fazia as necessidades tudo ali naquele local. Não tinha banheiro, não tinha nada. Eles faziam ali naquele ambiente. Então era um ambiente bem… bem difícil”, explicou.
De acordo com a Polícia Civil, os pais optaram por permanecer em silêncio durante o depoimento. O casal foi preso em flagrante por maus-tratos, sequestro e cárcere privado, além de apropriação de pensão, benefício, remuneração ou qualquer outro rendimento de pessoa com deficiência, mas foram liberados pela Justiça.
Com isso, o homem de 41 anos vai responder pelos crimes em liberdade, enquanto a companheira dele, de 39, está em prisão domiciliar, segundo a corporação.
Após serem resgatados, Milton afirmou que os adolescentes devem ser encaminhados pela Assistência Social a um abrigo.
“A Assistência Social agora vai encaminhá-los para um abrigo, um local seguro, para acompanhá-los com psicólogo, atendimento médico e dar a eles a dignidade que eles merecem”, disse o inspetor.
‘Subtraíam dinheiro desse menor’
Ainda de acordo com o inspetor, o menino de 14 anos tem transtorno do espectro autista e recebe uma pensão do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas). Ele acredita que os pais possam ter aproveitado disso, tirando vantagem dos benefícios recebidos pelo adolescente.
“Eles subtraíam dinheiro desse menor. Eles iam beber com esse dinheiro, jogar… Fizeram alguns empréstimos no nome dessa criança. Foi questionado o porquê desse empréstimo, eles falaram que iam comprar uma moto. Então, aquela fonte de renda ali era a que eles usavam”, declarou Milton.
Milton explicou que os pais disseram viver de pequenos bicos, sem trabalho fixo, indicando que eles utilizavam a renda do BPC do adolescente para se manter.
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