Andreia Vieira Gaspar morreu após passar por uma cirurgia que durou quase dez horas, segundo laudo. Família denuncia que houve negligência no atendimento.

A equipe médica responsável pelo atendimento da empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, que morreu após passa por uma cirurgia plástica, tentou reanimá-la por quase duas horas no dia da morte. A irmã de Andreia, Djiane Vieira, contou que os profissionais iniciaram as tentativas de reanimação às 2h40 e pararam por volta das 4h30.
Djiane, que acompanhava a irmã no quarto, relatou que Andreia voltou da operação bastante debilitada, com inchaço excessivo e queixas constantes de falta de ar e sensação de sufocamento.
Andreia morreu no dia 12 de agosto após ser submetida a procedimentos no rosto em uma clínica em Goiânia. O relatório do laudo solicitado pela família informou que o procedimento teve início às 7h45 e se estendeu até as 17h40, quando Andreia foi levada de volta ao quarto após quase dez horas no centro cirúrgico. Segundo o mesmo documento, a causa da morte foi trombose aguda e infarto pulmonar.
Conforme já apurado, Andreia passou por procedimentos no rosto e pescoço, incluindo ritidoplastia profunda, frontoplastia, mentoplastia e blefaroplastia, além de aplicação de gordura no rosto. A empresária pagou R$ 118 mil pelos procedimentos e não passou por uma consulta presencial com o médico antes da operação, segundo Djiane.
Pedido de socorro
De acordo com prints apresentados por Djiane, enquanto presenciava a irmã passando mal e apresentando piora na respiração, ela implorou, em um grupo de mensagens com a equipe médica, que Andreia fosse socorrida. A família denuncia que houve negligência no atendimento.
“A minha irmã tá morrendo. Pelo amor de Deus. Vocês atendem, ninguém aparece. Pelo amor de Deus.”
Em nota, o médico otorrinolaringologista Lessandro Martins disse que lamenta o falecimento da paciente e se solidariza com a dor de seus familiares, mas que não comentará o caso devido ao código de ética médica (leia na íntegra ao final do texto).
Cirurgia
Andreia morava na Espanha havia cinco anos e foi para Goiânia para realizar o procedimento que, segundo a família, era um sonho antigo.
“Foram dois anos que ela ficou poupando. Não é fácil você reunir R$ 118 mil ganhando salário. Então era um sonho na cabeça dela que já vinha de anos”, afirmou Djiane.
Ela teria começado a se organizar financeiramente para fazer a cirurgia cerca de dois anos antes. O procedimento custou R$ 118 mil. Segundo familiares, Andreia entrou em contato com a equipe médica pelas redes sociais e as tratativas foram feitas inicialmente por meio de mensagens.
Investigação
O Ministério Público de Goiás informou que encaminhou à Polícia Civil um ofício solicitando a abertura de inquérito para investigar a possível prática de homicídio culposo.
A família também questiona o atendimento prestado durante o pós-operatório e afirma que Andreia poderia ter recebido assistência médica antes da piora do quadro.
A defesa do Hospital Ankar afirmou que Andreia recebeu atendimento de emergência imediato, com assistência das equipes médica e de enfermagem e adoção das medidas necessárias diante do quadro apresentado. O hospital também informou que os registros do atendimento estão documentados em prontuário e poderão ser disponibilizados às autoridades.
A família afirma que pretende colaborar com as investigações e busca esclarecimentos sobre o atendimento prestado à empresária antes da morte.
Nota do médico Lessandro Martins
O médico lamenta profundamente o falecimento da Sra. Andreia Vieira Gaspar e se solidariza com a dor de seus familiares. Em respeito ao sigilo médico — que persiste mesmo após o óbito, por imposição do Código de Ética Médica —, não serão concedidas entrevistas nem realizados comentários sobre dados clínicos, exames ou detalhes do atendimento.
Todos os esclarecimentos serão prestados, com total colaboração, aos órgãos competentes, únicos foros adequados para a apuração dos fatos. O médico confia que a apuração demonstrará a correção da assistência prestada.
Nota do Hospital Ankar
A advogada responsável pela defesa do Hospital Ankar, Cristiene Pereira Couto, informa que a unidade lamenta profundamente o falecimento da paciente Andréia Vieira Gaspar e manifesta solidariedade aos seus familiares.
A defesa esclarece que a paciente recebeu atendimento de emergência imediato, com assistência da equipe médica e de enfermagem e adoção das medidas necessárias diante do quadro apresentado.
É importante destacar que a avaliação e os exames pré-operatórios foram realizados externamente, antes da admissão da paciente no Hospital Ankar para a realização do procedimento cirúrgico.
A partir da intercorrência, a paciente foi prontamente assistida pelos profissionais presentes, com utilização da estrutura hospitalar necessária e realização das medidas de emergência indicadas.
Todos os registros referentes ao atendimento estão devidamente documentados em prontuário, que poderá ser disponibilizado às autoridades competentes sempre que necessário.
O Hospital Ankar permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos pertinentes e colaborar integralmente com a apuração dos fatos, com transparência, responsabilidade e respeito à paciente, à família e aos profissionais envolvidos.
Jornal Correio do Povo Jornalismo de Verdade





