quarta-feira , 4 fevereiro 2026

Empresário sofre tentativa de assassinato com granada lançada por drone por causa de dívida de R$ 1,5 milhão

Ataque aconteceu após produtor rural pedir prazo para pagar sementes de milho; três suspeitos foram presos em Mato Grosso durante operação da Polícia Civil de Goiás

Um empresário sofreu uma tentativa de assassinato após criminosos utilizarem um drone para lançar uma granada contra a casa dele, em Itaberaí, no noroeste de Goiás. O ataque foi motivado por uma dívida agrícola estimada em R$ 1,5 milhão, segundo as investigações.

De acordo com a polícia, os criminosos fizeram duas tentativas de ataque entre os dias 15 e 17. Na primeira, a granada ficou presa ao drone e não explodiu. Dois dias depois, o grupo voltou ao local com um segundo equipamento, tentando resgatar o primeiro drone com o uso de uma corda e um gancho, mas a ação também falhou e os dois aparelhos caíram próximo à residência.

Segundo a polícia, o artefato tinha alto poder letal e poderia atingir não só a família do empresário, mas também moradores vizinhos.

“O que evitou uma tragédia maior foi uma falha técnica. Era um artefato de alto poder letal, capaz de matar qualquer pessoa num raio significativo”, afirmou o delegado Kleber Rodrigues, responsável pelo caso.

Dívida e escalada de ameaças

Segundo a investigação, o empresário atua na produção agrícola em Itaberaí e adquiriu sementes de milho por meio de um intermediário. Após uma colheita abaixo do esperado, ele pediu mais prazo para quitar a dívida, o que teria provocado uma escalada de ameaças.

Inicialmente, as intimidações foram verbais e veladas. Com o tempo, passaram a ser diretas e culminaram no atentado com explosivos. Mesmo após a tentativa frustrada, os criminosos enviaram mensagens irônicas para a vítima perguntando se ela “tinha gostado do presente” e afirmando que voltariam a atacar.

A polícia informou ainda que até o advogado do empresário, um ex-deputado estadual, também passou a ser ameaçado.

Grupo especializado em cobranças violentas

A Polícia Civil identificou que o grupo é oriundo de Primavera do Leste (MT) e atua em várias regiões do país com extorsões e cobranças violentas. Três homens foram presos.

Para dificultar a identificação, os suspeitos usavam perfis falsos em redes sociais, com imagens geradas por inteligência artificial, além de números de telefone registrados em CPFs de terceiros.

Segundo o delegado adjunto da Deic, Samuel Moura, o grupo percorria diversos estados e adotava estratégias sofisticadas para intimidar vítimas sem revelar a própria identidade.

As prisões aconteceram em Mato Grosso e foram antecipadas por causa do risco iminente de um novo ataque. Dois suspeitos foram presos dentro de um veículo e o terceiro em Primavera do Leste.

Segundo a investigação, o armamento tem origem suspeita no Paraguai e é classificado como granada fragmentária. O artefato é considerado armamento de guerra e tem uso proibido no Brasil.

A Polícia Civil acredita que os presos atuavam como executores da cobrança e que há um mandante por trás do crime. A investigação agora tenta identificar quem seria o verdadeiro credor da dívida e se outras pessoas participaram do planejamento do atentado.

Os suspeitos vão responder por tentativa de homicídio qualificado, extorsão qualificada e posse de artefato explosivo de uso restrito.

Sobre Osvando Teixeira

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