Homem de 86 anos tem Alzheimer em estágio avançado. Polícia Civil investiga o caso como tortura e deve pedir prisão preventiva do suspeito.
Um idoso de 86 anos, acamado e diagnosticado com Alzheimer, foi torturado pelo próprio cuidador dentro de casa, em Goiânia. As agressões foram registradas por câmeras de segurança instaladas no quarto da vítima. A Polícia Civil investiga o caso como tortura e fez um pedido de prisão preventiva do suspeito.
Segundo o delegado Alexandre Bruno Barros, os familiares desconfiaram após o idoso apresentar lesões e decidiram verificar as imagens. “Os familiares já vinham desconfiando. O idoso apresentava algumas lesões e resolveram verificar as câmeras. Pelas imagens, viram aquelas cenas que todos ficaram horrorizados”, afirmou.
O cuidador trabalhava na casa desde junho do ano passado e sabia da existência de câmeras de monitoramento. As imagens mostram o profissional segurando as pernas do idoso e forçando movimentos repetidamente. Em outro momento, ele é visto agredindo o paciente enquanto o limpava.
Segundo o filho do idoso, Leonardo Vasconcelos, a família ficou chocada ao rever as gravações. “Foi uma decepção muito grande. Quem me garante agora que isso já não vinha acontecendo antes?”, afirmou.
Mesmo após ser confrontado com os vídeos, segundo a família, o cuidador negou as agressões e teria classificado as imagens como “procedimento normal”.
De acordo com o delegado, a Polícia Civil não enquadrou o caso como maus-tratos, mas como tortura.
Segundo o delegado, embora a diferença entre maus-tratos e tortura seja sutil, o caso apresenta elementos que caracterizam tortura, como a repetição das agressões, a relação de submissão e o uso de crueldade. Ele ressaltou ainda que o idoso, de 86 anos, está em situação de incapacidade e extrema vulnerabilidade.
O delegado destacou que o idoso está em estágio avançado da doença, que não consegue se locomover, não reconhece mais ninguém e precisa de cuidados especiais. “Aquele indivíduo estava ali para garantir a dignidade da pessoa humana”, afirmou.
A polícia também investiga se o cuidador pode ter cometido agressões contra outros idosos, já que o suspeito tinha outros clientes. “Ele já cuidou de outros idosos. Estamos investigando a possibilidade de ele ter praticado isso com outras pessoas também”, afirmou o delegado.
A polícia aguarda resposta do pedido de prisão preventiva. Segundo ele, a pena pode chegar a até 15 anos de prisão, dependendo das circunstâncias.
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