Jovem torturada e tatuada à força pelo namorado foi agredida enquanto dormia: ‘Só pensava em fugir’

Guilherme Henrique Amaral Andriolo foi preso após a vítima contar as agressões na delegacia, em Itapetininga (SP). Advogado da jovem diz que ela precisou ser novamente internada. ‘Ela levou três socos no nariz enquanto estava dormindo e ele arrancou um piercing com o alicate’, comenta.

Vítima foi tatuada à força — Foto: Divulgação/Polícia Civil

A jovem de 28 anos que era torturada, inclusive tatuada à força, pelo namorado em Itapetinga (SP) foi agredida enquanto dormia, conforme o advogado de defesa dela. A violência foi descoberta na quarta-feira (22), quando a vítima conseguiu fugir da casa onde era mantida em cárcere. O advogado José Ricardo Baracho Navas diz que a jovem e o companheiro, Guilherme Henrique Amaral Andriolo mantinham um relacionamento havia 11 anos. Eles ficaram um ano e meio separados e, durante o período, a vítima teria conhecido outra pessoa.

Ele foi preso pela Polícia Civil na quarta-feira, mesma data em que a jovem conseguiu fugir da casa. “Eles voltaram em janeiro deste ano. No tempo que ficaram separados, ela conheceu outra pessoa e ele ficou com ciúmes desse outro relacionamento. Ele a ameaçava, dizendo que ia matá-la. Ela já tinha registrado um boletim de ocorrência contra o Guilherme e pedido uma medida protetiva, que foi revogada por eles terem reatado e sido ‘bonzinho’ com ela”, detalha.

O advogado da vítima afirma que a tortura foi premeditada pelo homem. As primeiras agressões aconteceram diretamente no rosto da jovem, que precisou ser novamente internada nesta sexta-feira (24) em uma unidade de saúde com problemas respiratórios, desfigurada e com hematomas de grande porte na face.

“Ela levou três socos no nariz enquanto estava dormindo e ele arrancou um piercing dela com o alicate. Rasgou a boca e sangrou muito. Depois disso, ele amarrou ela e começou uma tortura terrível, que durou horas. Ele mesmo disse a ela que tinha premeditado tudo isso há muito tempo e que, naquele dia, só tinha decidido executar o plano”, conta.

De acordo com as informações da Polícia Civil, as tatuagens feitas no corpo da vítima não possuem nenhum tipo de significado. “As iniciais são do ex dela e mostram o ciúme doentio que ele tinha pelo outro rapaz. Como ele é dono de uma farmácia, ele tinha muitas seringas e agulhas. O corpo dela foi perfurado muitas vezes enquanto ela estava imobilizada e, inclusive, rasgado com um bisturi”, pontua o advogado.

José Ricardo também diz que a data de outubro de 2022 corresponde ao dia em que o namoro entre ela e Guilherme acabou. Além das agressões físicas, o advogado revela que a tortura também foi psicológica. O homem comprou pizzas e forçou a vítima a observá-lo comendo enquanto estava amarrada, por estar com fome e desidratada.

“Ele pegou uma gravata e amarrou ela até desmaiar. O Guilherme acreditou que tinha matado ela, pois, quando ela voltou à consciência, ficou quieta para ver se ele parava com as agressões. Foi aí que ele introduziu o objeto metálico na região anal e puxava ela por isso. Ele tomou remédios para dormir e, toda vez que acordava, continuava as torturas”, compartilha.

O advogado conta que ela fugiu assim que conseguiu se soltar. Ela passou por psiquiatra e, atualmente, está na segunda internação clínica, por suspeita de fraturas nas costelas. “Felizmente, ela está sendo muito bem acolhida pela família e está na luta por Justiça”, declara.

Relembre o caso

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Franco Augusto Costa Ferreira, a vítima, de 28 anos, foi levada à delegacia pelo irmão, que a encontrou com sinais de violência. No imóvel, localizado na Rua João Adolfo, no Centro da cidade, os agentes encontraram diversos estimulantes sexuais, que teriam sido utilizados pelo homem. A perícia técnica feita no local apontou que o homem também amarrava a mulher com frequência. A cama onde a vítima ficava foi encontrada ensanguentada.

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